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Saúde do homem, urologia e performance

Próstata aumentada: o que é a hiperplasia prostática benigna e como ela é tratada

A próstata aumentada é uma das condições urológicas mais comuns entre homens a partir dos 40 anos. Conhecida tecnicamente como hiperplasia prostática benigna (HPB), ela não é um câncer, mas pode comprometer significativamente a qualidade de vida quando não identificada e acompanhada adequadamente.

Neste artigo, você vai entender o que acontece com a próstata ao longo da vida, quais sinais merecem atenção, como o diagnóstico é realizado e quais são as abordagens de tratamento disponíveis atualmente.

O que é a próstata e qual é o seu papel no organismo masculino

A próstata é uma glândula presente apenas no organismo masculino. Ela fica localizada logo abaixo da bexiga e envolve a parte inicial da uretra — o canal responsável por conduzir a urina da bexiga para fora do corpo. Sua principal função está relacionada à produção de parte do líquido seminal, que contribui para a nutrição e a mobilidade dos espermatozoides.

Em homens jovens, a próstata tem, em média, o tamanho de uma castanha. Com o avançar da idade, ela naturalmente cresce — e é exatamente nesse processo que pode surgir a hiperplasia prostática benigna.

O que é a hiperplasia prostática benigna (HPB)

A hiperplasia prostática benigna é o crescimento não canceroso do tecido da próstata. O termo “benigna” é fundamental: a HPB não é câncer de próstata e não aumenta o risco de desenvolvê-lo. Trata-se de um processo diferente, com causas, evolução e tratamento distintos.

À medida que a próstata cresce, ela passa a comprimir a uretra, dificultando a passagem da urina. Esse estreitamento é o principal responsável pelos sintomas que os homens com HPB relatam.

Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), a HPB afeta cerca de 50% dos homens entre 51 e 60 anos e chega a mais de 80% daqueles acima de 70 anos. Esses números evidenciam o quanto o envelhecimento é o principal fator de risco para a condição.

Por que a próstata aumenta com a idade

O crescimento prostático está diretamente ligado a alterações hormonais que ocorrem naturalmente com o envelhecimento. Com o passar dos anos, o equilíbrio entre testosterona e estrogênio se modifica, favorecendo a proliferação das células prostáticas.

Além da idade, outros fatores associados ao desenvolvimento da HPB incluem:

  • Histórico familiar de próstata aumentada
  • Obesidade e síndrome metabólica
  • Sedentarismo
  • Dieta rica em gorduras saturadas e pobre em vegetais
  • Diabetes tipo 2

Importante ressaltar: a HPB é um processo natural do envelhecimento masculino, não uma doença resultante de comportamento inadequado. No entanto, hábitos de vida saudáveis podem contribuir para o manejo dos sintomas.

Sintomas de próstata aumentada: o que observar

Os sintomas da HPB são chamados coletivamente de STUI — Sintomas do Trato Urinário Inferior. Eles se dividem em dois grupos principais:

Sintomas obstrutivos (relacionados à dificuldade de esvaziar a bexiga)

  • Jato urinário fraco ou intermitente
  • Dificuldade para iniciar a micção
  • Sensação de bexiga não completamente esvaziada após urinar
  • Gotejamento ao final da micção
  • Esforço para urinar

Sintomas irritativos (relacionados ao armazenamento de urina)

  • Urgência urinária — vontade repentina e difícil de conter
  • Frequência aumentada — urinar muitas vezes ao dia
  • Noctúria — acordar mais de uma vez à noite para urinar
  • Dificuldade em conter a urina por tempo prolongado

A intensidade dos sintomas varia de pessoa para pessoa. Alguns homens convivem com sintomas leves por anos sem progressão significativa; outros apresentam piora gradual que impacta o sono, o trabalho e as atividades diárias.

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Quando os sintomas se tornam uma emergência

Em situações específicas, o crescimento da próstata pode evoluir para uma condição que exige atendimento imediato. A retenção urinária aguda — incapacidade total de urinar — é uma urgência médica. Ela provoca dor intensa na região abdominal inferior, desconforto progressivo e distensão visível da bexiga.

⚠️ Atenção: Se você não conseguir urinar de forma alguma, mesmo sentindo vontade intensa, busque atendimento médico de urgência imediatamente.

Outros sinais que requerem avaliação sem demora:

  • Sangue na urina (hematúria)
  • Dor ou ardor ao urinar associados a outros sintomas
  • Infecção urinária de repetição
  • Piora rápida dos sintomas já existentes

Como é feito o diagnóstico da HPB

O diagnóstico da hiperplasia prostática benigna é clínico e baseia-se em uma avaliação cuidadosa realizada pelo urologista. Não existe um único exame que confirme a HPB isoladamente; o processo diagnóstico é composto por diferentes etapas:

Consulta e histórico clínico

O médico avalia a intensidade dos sintomas com instrumentos validados internacionalmente, como o Escore Internacional de Sintomas Prostáticos (IPSS) — um questionário que quantifica o impacto dos STUI na qualidade de vida do paciente.

Exames utilizados no diagnóstico

ExameFinalidade principal
Toque retalAvaliar volume, consistência e limites da próstata
PSA (Antígeno Prostático Específico)Rastrear alterações; auxilia no diagnóstico diferencial com câncer
Ultrassom de próstataMedir o volume prostático com mais precisão
UrofluxometriaAvaliar o fluxo e a velocidade da urina durante a micção
Urina I (EAS)Descartar infecção urinária e outras condições associadas
Resíduo pós-miccionalVerificar quanto de urina permanece na bexiga após urinar

A combinação desses dados permite ao urologista avaliar a gravidade da condição e indicar a abordagem mais adequada para cada caso.

Tratamento para próstata aumentada: quais são as opções

O tratamento da HPB é individualizado. O urologista considera o volume prostático, a intensidade dos sintomas, a presença de complicações, a idade, as condições clínicas associadas e as preferências do paciente.

Observação vigilante 

Para homens com sintomas leves e sem complicações, a conduta pode ser apenas de monitoramento regular. São realizadas consultas periódicas, e o paciente recebe orientações sobre mudanças no estilo de vida que podem contribuir para o controle dos sintomas:

  • Reduzir a ingestão de líquidos nas horas antes de dormir
  • Limitar bebidas alcoólicas e com cafeína
  • Praticar atividade física regularmente
  • Manter peso adequado

Tratamento medicamentoso

Quando os sintomas comprometem a qualidade de vida, o urologista pode indicar o uso de medicamentos. As classes mais utilizadas, conforme as diretrizes da Sociedade Brasileira de Urologia, incluem:

  • Alfabloqueadores: relaxam a musculatura da próstata e da uretra, facilitando o fluxo urinário. Agem de forma relativamente rápida sobre os sintomas.
  • Inibidores da 5-alfa-redutase: atuam sobre o hormônio que estimula o crescimento prostático, reduzindo o volume da glândula ao longo do tempo. O efeito é mais lento, mas mais duradouro.
  • Combinação de classes: em casos selecionados, o médico pode indicar o uso associado das duas classes para potencializar os resultados.
  • Inibidores de PDE5: têm sido estudados também para sintomas urinários associados à HPB, especialmente quando há disfunção erétil concomitante.

A indicação e o ajuste do medicamento são responsabilidade exclusiva do médico assistente, levando em conta o perfil clínico de cada paciente.

Tratamento cirúrgico

Nos casos em que os medicamentos não são suficientes, há contraindicação ao uso de fármacos, ou existem complicações como retenção urinária de repetição, cálculos vesicais ou insuficiência renal, o tratamento cirúrgico pode ser indicado.

As abordagens minimamente invasivas e cirúrgicas mais estabelecidas incluem:

  • RTU-P (Ressecção Transuretral da Próstata): considerada o procedimento de referência para HPB moderada a grave; realizada por via endoscópica, sem incisões externas.
  • Enucleação a laser (HoLEP): técnica com laser que permite remover o tecido prostático por via endoscópica, com resultados consolidados na literatura científica.
  • Técnicas de vapor e ablação: disponíveis em centros especializados, com perfil de recuperação variável.

A escolha da técnica depende do volume prostático, das condições clínicas do paciente e da disponibilidade do serviço.

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HPB tem relação com câncer de próstata?

Essa é uma das dúvidas mais frequentes entre os pacientes. A resposta é clara: a hiperplasia prostática benigna não é câncer e não se transforma em câncer de próstata.

São condições distintas, com origens celulares, localizações na glândula e comportamentos biológicos completamente diferentes. No entanto, como ambas afetam a próstata e podem compartilhar alguns sintomas, a avaliação médica é essencial para diferenciá-las. É por isso que o PSA e o toque retal fazem parte do processo diagnóstico — não apenas para confirmar a HPB, mas também para descartar outras condições.

Conclusão

A próstata aumentada é uma condição altamente prevalente e com tratamento eficaz disponível. O principal obstáculo para o cuidado adequado ainda é o desconhecimento e o adiamento da consulta urológica, muitas vezes motivado por receio ou pela ideia de que os sintomas são “normais da idade”.

Reconhecer os sinais precocemente, procurar avaliação com um urologista e manter o acompanhamento regular são as atitudes que fazem diferença na qualidade de vida a longo prazo. Cada caso é único, e o tratamento mais adequado só pode ser definido após avaliação clínica individualizada.

Se você identificar algum dos sintomas descritos neste artigo, a recomendação é buscar orientação médica especializada. O diagnóstico precoce amplia as opções de tratamento e contribui para melhores desfechos.


FAQ – Perguntas frequentes sobre próstata aumentada

  1. Próstata aumentada tem cura?

    A HPB é uma condição crônica associada ao envelhecimento. O tratamento adequado — seja com mudanças no estilo de vida, medicamentos ou procedimentos cirúrgicos — é capaz de controlar os sintomas de forma eficaz e melhorar significativamente a qualidade de vida. O urologista é o profissional indicado para orientar o plano de cuidado mais adequado para cada caso.

  2. Todo homem vai ter a próstata aumentada?

    O crescimento prostático com a idade é um processo natural e muito comum, mas nem todos os homens desenvolvem sintomas que exijam tratamento. Estimativas apontam que apenas uma parcela dos homens com HPB apresenta sintomas moderados a graves ao longo da vida.

  3. A HPB pode evoluir para complicações graves?

    Quando não acompanhada, a HPB pode evoluir para complicações como retenção urinária aguda, infecções urinárias de repetição, formação de cálculos vesicais e, em casos mais avançados, comprometimento da função renal. Por isso, o acompanhamento regular é importante.

  4. É necessário operar sempre?

    Não. A cirurgia é indicada apenas em situações específicas, quando os medicamentos não são suficientes ou quando há complicações. Muitos pacientes são tratados com êxito apenas com medicamentos ou com ajustes no estilo de vida.

  5. A partir de que idade devo fazer consulta urológica preventiva?

    As recomendações variam conforme o perfil de risco do paciente, mas, de modo geral, homens a partir dos 50 anos (ou 45 anos com histórico familiar de doenças prostáticas) se beneficiam de avaliação urológica periódica. Consulte um urologista para uma orientação personalizada.

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Sobre o Dr. Henrique Rodrigues Scherer Coelho
Dr. Henrique é natural de Campo Grande, MS, e membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). Trajetória:

● Graduado em Medicina (UFMS/Dourados, 2006);
● Residência em Cirurgia Geral (Santa Casa – CG, até 2010);
● Residência em Urologia (UFMS, até 2013);
● Mestrado em Saúde e Desenvolvimento (UFMS, 2016);
● Especialização em Cirurgia Urológica Minimamente Invasiva (Hospital Sírio-Libanês, 2017);
Doutorado em Saúde e Desenvolvimento (UFMS, defendido em 2022);
Pesquisa premiada sobre células-tronco em bexiga hipocontrátil (2023, Santiago-Chile).